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Boletim iCS: Junho/2018
Acontece no Brasil
O BRASIL DEU MARCHA RÉ
Greve dos caminhoneiros reforça dependência brasileira dos combustíveis fósseis

Nas últimas semanas de maio, o Brasil passou por uma greve de caminhoneiros (que teve início no dia 21) contra o aumento do preço do óleo diesel. A crise se agravou quando a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) apresentou ofício ao governo federal solicitando o congelamento dos preços e a abertura de negociações - sem resposta! Como consequência, aeroportos pelo Brasil ficaram sem combustível, eventos foram cancelados, supermercados não tiveram reabastecimento, rodovias fecharam e o país, literalmente, parou.

Para Walter Figueiredo De Simoni, coordenador do portfólio de Transporte do iCS, a pergunta que deve ser feita é: por que chegamos a esse ponto? A nossa dependência dos modais que utilizam combustíveis fósseis é imensa, avalia, e esse episódio só piora essa questão. De todas as cargas transportadas pelo Brasil, 65% delas passam pelas rodovias – justamente aquelas que consumimos no dia a dia.

“É basicamente por isso que esse grupo tem poder tão grande de parar o Brasil. Eles determinam a agenda, porque possuem a capacidade de impactar a vida da população. O problema, agora, é que o governo decidiu ‘privatizar’ a discussão e atendeu aos pedidos. O custo disso será repassado às pessoas, na forma de aumentos em serviços e produtos, porque o governo continua precisando arrecadar”, diz.

Na contramão do que fazem muitos países mundo afora, quando taxam os combustíveis fósseis justamente para garantir meios de descarbonizar o transporte, o novo acordo que retomou o abastecimento e liberou as rodovias reduziu os custos da gasolina e do diesel. Perde-se a oportunidade de se discutir um novo caminho, principalmente em relação aos transportes públicos. “Estamos tirando o dinheiro que deveria, por exemplo, baratear o preço desse tipo de mobilidade. E também é o momento de zerar o carbono no transporte público, seja via eletrificação ou via combustível”, finaliza.

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Energia
1º leilão de Eficiência Energética no Brasil ganha consulta pública e promete a maior economia de energia em uma região do país

A Agência Nacional de Energia Elétrica abriu para consulta pública a realização do 1º Leilão de Eficiência Energética do Brasil. Até o dia 16 de junho a população pode opinar sobre leilão que pretende eleger como vencedora a empresa ou consórcio que se comprometer com a promoção da maior economia de energia elétrica em uma região. Roraima foi escolhida como estado piloto, simbólico pelo fato de enfrentar crise elétrica em função de sua dependência da energia venezuelana. “A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) está fazendo a regulamentação, então preparou nota técnica e está colocando em consulta pública. Nós vamos complementar o trabalho financiando o ISA (Instituto Socioambiental), que trará a equipe do Instituto Técnico Federal de Roraima, no projeto que determinará o potencial de eficiência em cada segmento: público, grandes e pequenos consumidores”, explica Roberto Kishinami, coordenador do portfólio de Energia.

Inédito: metodologia do SEEG é detalhada pela primeira vez em publicação internacional

O periódico Scientific Data, revista que integra o grupo Nature, foi a primeira publicação internacional a divulgar um artigo científico descrevendo o passo a passo da metodologia do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) - sistema usado por organizações integrantes do Observatório do Clima para produzir dados anuais de emissões e remoções de gases de efeito estufa no Brasil. No trabalho, 23 autores explicam como são feitas e atualizadas as estimativas de emissão de CO2 e outros gases nos setores de mudança de uso da terra, agropecuária, energia, processos industriais e resíduos. A metodologia do SEEG é aberta e pode ser replicada, criticada e aprimorada ao redor do planeta.

Energia consumida por aparelhos de ar condicionado deve triplicar até 2050, aponta IEA

A equação é simples: quanto maior a população e seu poder aquisitivo, especialmente em regiões mais quentes de países emergentes, maior é o consumo de ar condicionado. De acordo com estudo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), a energia usada para a refrigeração de ambientes deve triplicar até 2050. O iCS, ao lado de parceiros, atua para elevar a eficiência energética dos aparelhos com o Projeto Kigali.

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Transporte
Ônibus de BH, Rio e São Paulo são reprovados

Avaliados por usuários do aplicativo MoveCidade, do IDEC, os ônibus de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo estão longe do ideal. Cerca de 1800 respostas, com notas de 0 a 10, foram enviadas entre setembro de 2017 e março de 2018, e a realidade demonstra a insatisfação da população. Em São Paulo, segurança foi um dos quesitos mais bem avaliados (5,70), enquanto em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro um dos piores. Já o trânsito se manteve entre os três melhores quesitos em todas as cidades, mas sua maior nota foi um 5,58 em BH.

Mobilidade urbana segue fora dos planos (e dos investimentos) do governo de Belo Horizonte

Baixo investimento e fora dos planos do governo: esse é o resultado do relatório do Movimento Nossa BH sobre o orçamento municipal de 2017 para mobilidade ativa e coletiva. Entre os destaques negativos, as bicicletas não receberam qualquer valor, mesmo com o Plano de Mobilidade por Bicicletas de Belo Horizonte aprovado pelo prefeito, assim como o projeto de acessibilidade e sua previsão de sinais de pedestre e sonorização para garantir acessos aos deficientes visuais e de mobilidade reduzida – mesmo, nesse caso, com R$ 6 bilhões destinados previamente no orçamento. Em relação aos transportes públicos, apenas 2% do valor orçado para a construção de corredores do BRT foram pagos.

Transporte ativo de carga ganha relevância em bairros de São Paulo e Rio de Janeiro

No bairro do Bom Retiro, zona central de São Paulo, é possível dizer que a bicicleta é muito mais do que um instrumento de lazer – ela é um veículo de entregas. A cada hora, 90 encomendas são enviadas para seus locais de destino por meio de bicicletas ou triciclo. A cada dia, o número chega a 2350 viagens comandadas pelos comerciantes locais. Os dados são resultado do estudo Ciclologística, realizado pela Aliança Bike em parceria com o Laboratório de Mobilidade Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Labmob - UFRJ). Já em Copacabana, no Rio de Janeiro, as bikes e triciclos realizam 10 mil viagens por dia – embora a área dos dois bairros seja semelhante, o mesmo não se pode dizer do número de habitantes, já que Copa tem 4 vezes mais moradores do que Bom Retiro. O transporte ativo de carga cresce, mesmo sem a estrutura adequada.

2547 ciladas ao pedestre nas calçadas do Brasil são monitoradas na edição 2018 do Corrida Amiga

A edição de 2018 do Calçada Cilada, campanha nacional do Corrida Amiga que mapeia as más condições dos pavimentos públicos, chegou ao fim com 2.547 'ciladas' ao pedestre. Cerca de 30 organizações parceiras distribuídas pelo Sudeste, Centro-Oeste, Sul e Nordeste do Brasil convocaram pessoas a fiscalizarem as calçadas com grande fluxo de pedestres durante o mês de abril. Os resultados das análises em 23 cidades estão disponíveis no aplicativo Colab e apontaram problemas como calçadas irregulares, falta de acessibilidade, buracos, obstáculos e lixo.

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Política Climática e Engajamento
Mudanças climáticas são alerta para a segurança nacional e internacional

Os efeitos das mudanças climáticas e eventos extremos para a segurança dos países foi tema do Encontro Internacional sobre Clima e Segurança, realizado no Rio de Janeiro, como parte da plataforma Diálogos Futuro Sustentável. Sob o formato de painéis - um sobre cenário internacional e outro sobre o Brasil -, o evento apresentou a pluralidade de definições para a palavra segurança e a necessidade de aprimorar a governança e a interconexão entre os diferentes atores que discutem o assunto. O resumo foi publicado no Valor Econômico. A jornalista Daniela Chiaretti repercurtiu a fala da representante do diplomacia brasileira, Patricia Leite Soares, segundo a qual a centralidade da questão deve estar na mitigação e monitoramento das mudanças climáticas, e não na necessidade de segurança por eventuais conflitos.

Em entrevista ao Estadão, John Conger, um dos palestrantes convidados e diretor do Centro de Clima e Segurança (CCS) dos Estados Unidos, afirmou: as mudanças climáticas ainda são tratadas como questão de segurança nacional pelo Departamento de Defesa mesmo sendo desprezado pelo presidente Donald Trump. O temor norte-americano, aliás, passa justamente pela defesa – há o receio de que o poderia militar nacional seja afetado em áreas propícias ao aumento do nível do mar ou derretimento do gelo, por exemplo.

Alexander Carius, fundador da adelphi, think tank alemã com 200 especialistas, conversou com o Valor Econômico sobre as potenciais mudanças geopolíticas do crescimento da energia renovável. Um exemplo citado foi a Arábia Saudita, que anunciou o investimento de US$ 7 bilhões esse ano para remodelar sua matriz energética. “Sua influência na região, baseada no petróleo, permanecerá com as renováveis?”, questiona.

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, Ana Toni e Alice Amorim (diretora executiva e coordenadora do portfólio de Política Climática e Engajamento do iCS, respectivamente) chamam a atenção para o risco climático – já presente na vida de muitos brasileiros, porém ausente do noticiário. “As mudanças climáticas aumentam a frequência de chuvas destruidoras, responsáveis por desabamentos e inundações que deixam centenas de mortos e desabrigados. Alterações na pluviosidade podem afetar safras inteiras, ameaçando a segurança alimentar”, escrevem.

Uso e cobertura da terra é pauta de debate organizado pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura em São Paulo

No dia 17 de maio, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura promoveu o seminário “Agropecuária e a dinâmica de cobertura e uso da terra: dados científicos e sua aplicação”, em São Paulo. O evento reuniu cerca de 190 pessoas, entre elas os maiores pesquisadores e especialistas em sensoriamento remoto do país de diferentes organizações. Estruturado em quatro painéis, o encontro discutiu sobre políticas públicas, fontes de informação e como disponibilizá-las em plataformas da mídia. Ana Toni participou da mediação do último painel, que discutiu a temática sobre a utilização de dados, avaliação de riscos e oportunidades de investimento. “Sem dúvida nenhuma, o Brasil lidera a produção de dados sobre uso da terra e, cada vez mais, o governo e o setor privado se apropriam desses dados para elaborar e decidir suas políticas. Foi muito interessante ver que apesar de termos diversos produtos financeiros para a agricultura, não existem produtos financeiros para mantermos a floresta em pé. O que revela a falta de valorização da floresta - não só para o setor financeiro ou de seguros, mas também para nossa sociedade”, alerta. 

Desmatamento na Amazônia pode acabar antes de 2030, diz estudo

É possível acabar com o desmatamento na Amazônia antes de 2030. Essa é a principal conclusão do relatório “Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá”, apresentado em seminário em São Paulo. Ana Toni participou do debate e levantou a necessidade de envolver a população da região amazônica no processo.

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Economia de Baixo Carbono
Transição para economia de baixo carbono deve trazer saldo de 18 milhões de novos empregos

Muita gente ainda discute os custos e as recompensas da transição para uma economia de baixo carbono. Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) promete mostrar na prática os benefícios de um modelo mais verde e sustentável: ao todo, o saldo será de 18 milhões de novos empregos gerados, caso os países adotem as políticas corretas. E o Brasil não fica atrás. Na transição, 620 mil novas vagas surgirão, muito mais do que sua contrapartida de 180 mil empregos perdidos – uma proporção de 3,4 novas oportunidades para cada demissão. Mas como? A partir da necessidade de priorização de fontes energéticas renováveis, desenvolvimento do uso de veículos elétricos, construção e adaptação de edifícios e reestruturação do modelo mundial de consumo para o sistema circular (extração-produção-consumo-reaproveitamento-novo uso).

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Doações Aprovadas em Maio
CCMob - Coalizão Clima
e Mobilidade Ativa
Valor Doado R$ 250.000,00 Duração 12 meses Portfólio Transporte
Propósito da Doação: Criação e fortalecimento da Coalizão Clima e Mobilidade Ativa, que ajudará a conectar os grupos de mobilidade ativa ao movimento de mudança climática, através do desenvolvimento de campanhas, participação em espaços dedicados à discussão de políticas climáticas e promoção do conhecimento climático. Em última análise, o objetivo é pressionar por melhores políticas de baixo carbono no campo da mobilidade ativa.
Instituto Update Valor Doado R$ 210.000,00 Duração 10 meses Portfólio Política Climática e Engajamento Propósito da Doação: Democratizar o acesso de novos indivíduos e promover a renovação em instituições políticas estabelecidas, reduzindo os custos da campanha política. Isso será feito através do desenvolvimento do "Liane" - um kit de ferramentas de dados abertos que aumentam a competitividade de campanhas de baixo custo, combinando inteligência política, metodologias online e offline, tecnologias e uso de dados. Com isso, pretende-se apoiar o surgimento de jovens e novos líderes.
World-Transforming Technologies Valor Doado R$ 47.000,00 Duração 8 meses Portfólio Economia de Baixo Carbono Propósito da Doação: Desenvolvimento de soluções inovadoras baseadas em tecnologia para os desafios das mudanças climáticas, e para criar o espaço para experimentar inovações tecnológicas, sociais e de modelo de negócios no campo, com o objetivo de expandir e qualificar a rede internacional da WTT e, finalmente, o impacto da inovação ecossistema no Brasil.
Movimento Nossa BH Valor Doado R$ 250.000,00 Duração 12 meses Portfólio Transporte Propósito da Doação: Fortalecer o Observatório de Mobilidade Urbana da cidade de Belo Horizonte no monitoramento do desenvolvimento e implementação de políticas de mobilidade urbana. Os desafios atuais do Observatório incluem (1) assegurar que a cidade publique dados relevantes com transparência e frequência adequadas, (2) melhorar a participação dos principais interessados e (3) expandir seu escopo para incluir a região metropolitana de Belo Horizonte, composta por 34 municípios.
Nova Democracia Valor Doado R$ 200.000,00 Duração 12 meses Portfólio Política Climática e Engajamento Propósito da Doação: Permitir que a coalizão Nova Democracia construa um Pacto Democrático entre os atores políticos em torno da afirmação dos valores democráticos, a adoção de boas práticas nas eleições nacionais, com financiamento ético e transparente e propostas substantivas; e a implementação do processo de Reforma Democrática em 2019. O objetivo é renovar e fortalecer as instituições políticas do Brasil como base para políticas públicas importantes relacionadas à mudança climática.
IEI – International Energy Initiative Brazil Valor Doado R$ 693.000,00 Duração 12 meses Portfólio Energia Propósito da Doação: Criar o primeiro Portal de Eficiência Energética do Brasil, apresentando Indicadores de Eficiência Energética para todos os setores brasileiros de consumo de energia.
FBMC - Fórum Brasileiro
de Mudanças Climáticas
Valor Doado R$ 1.000.000,00 Duração 12 meses Portfólio Política Climática e Engajamento
Propósito da Doação: Para o trabalho em andamento do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, visando o desenvolvimento de uma nova proposta de governança da política climática; detalhar a meta de redução de emissões de GEE em toda a economia brasileira em metas setoriais para avançar na implementação da Contribuição Nacional Determinada (NDC); e começar a redigir uma proposta para a Estratégia Brasileira de Longo Prazo (LTS, em inglês).
Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura Valor Doado R$ 400.000,00 Duração 12 meses Portfólio Política Climática e Engajamento Propósito da Doação: Fortalecer o papel da Coalizão Brasileira Clima, Florestas e Agricultura como um importante polo de influência sobre o futuro do setor brasileiro de baixa emissão de carbono, através da publicação de documentos de posicionamento sobre Planaveg, Renovabio, Sinaflor; participação ativa no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas; e desenvolvimento de iniciativas conjuntas com o setor financeiro e acadêmico sobre novos instrumentos econômicos de baixo carbono relacionados ao uso da terra.
ISER – Instituto
de Estudos da Religião
Valor Doado R$ 250.000,00 Duração 12 meses Portfólio Política Climática e Engajamento
Propósito da Doação: Apoiar a capacidade institucional do ISER de se tornar um polo brasileiro de diálogo inter-religioso, conhecimento, comunicação e divulgação sobre questões climáticas, e manter o envolvimento de múltiplos líderes religiosos na causa climática através do fortalecimento de sua iniciativa Fé no Clima.
Instituto de Cidadania Empresarial Valor Doado R$ 50.000,00 Duração 3 meses Portfólio Economia de Baixo Carbono Propósito da Doação: Pela incorporação de uma agenda climática estruturada na edição de 2018 do Fórum de Impact Business and Social Finance. Contribuirá para uma maior compreensão sobre instrumentos financeiros, e experiências que visam conectar os modelos de negócios adequados aos desafios apresentados pelas mudanças climáticas em vários setores, como energias renováveis, transportes, florestas e agricultura.
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Este é um boletim mensal enviado pelo Instituto Clima e Sociedade – iCS
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